Conselho Regional de Química faz vistoria na Estação de Tratamento de Água da Cedae no Guandu

Após o início do uso do carvão ativado no tratamento de água, representantes do Conselho Regional de Química – Terceira Região estiveram, nesta sexta-feira, 24, na Estação de Tratamento de Água da Cedae no Guandu (ETA – Guandu), a fim de verificar os processos, equipamentos e controles inerentes à captação e tratamento da água para consumo humano, distribuída na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O objetivo da fiscalização foi, além de constatar a adequação da operação das instalações destinadas ao tratamento da água às normas técnicas vigentes,preconizadas pela Portaria nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde, para garantia do padrão de potabilidade da água distribuída, verificar o processo de uso do carvão ativado.

Em relação ao corpo técnico da empresa e a habilitação dos profissionais da Química, o órgão não encontrou nenhuma inconformidade. O chefe da fiscalização do CRQ-III, Fabio Souza, relatou que os métodos empregados estão corretos.

“Como o uso do carvão começou hoje, efetivamente, ainda não pudemos confirmar a efetividade do tratamento em relação à redução do sabor e odor estranhos à água. Isto será possível a partir do resultado das análises, que começaram a ser feitas na sexta-feira”, afirmou Souza, que já solicitou à Cedae os resultados de todos os testes posteriores. O resultado do primeiro teste só sairá no sábado, 25.

O carvão ativado tem propriedades que o tornam capaz de reter tanto a geosmina quanto alguns outros compostos orgânicos que possam estar presentes na água do Guandu. Mas só os testes comprovarão a potabilidade desta água.

“Na análise sensorial feita pela Cedae na ETA, ainda há um pouco de odor e sabor de terra, mas isso pode ser resultado ainda da otimização da dosagem de carvão,que vai ser ajustada a partir dos resultados das análises, feitas diariamente.”, destacou Harley Moraes, diretor do CRQ-III e coordenador da Câmara Técnica de Meio Ambiente da autarquia, que também esteve presente à vistoria.

O CRQ-III monitora e mantém contato com a empresa desde o início da crise no abastecimento, a fim de buscar os motivos da alteração na água que chega às casas dos fluminenses e dar uma resposta à sociedade. O presidente do Conselho Regional de Química, Rafael Almada, destaca que as fiscalizações são a principal atribuição do Conselho e não acontecem somente em tempos de crise.

“Os profissionais da Química que trabalham na Cedae estão devidamente registrados no CRQ e são fiscalizados, assim como a empresa. E é importante frisar que nós não testamos água, por exemplo. Garantimos, sim, que profissionais capacitados executem atividades que, por lei, só podem ser feitas por um químico. Desta forma é que evitamos que a sociedade não corra riscos por inabilidade técnica.”, disse Almada.

“O pânico não faz bem num momento desses. E o CRQ-III se colocou ao lado da sociedade para explicar e dar dicas que podem evitar problemas maiores. As pessoas não precisam entrar em pânico, mas têm que saber o que fazer num caso como este.”, completou o presidente.

O CRQ-III tem divulgado cartilhas com informações práticas sobre as medidas paliativas que a população poderia usar, até que a Cedae garanta a potabilidade da água, oficialmente. Ainda esta semana, o Laboratório de Controle da Qualidade da água da Cedae, na Tijuca, recebeu a vistoria do Conselho, que verificou os métodos, equipamentos e resultados de análises inerentes ao controle da potabilidade da água distribuída pela Cedae. No laboratório, o CRQ-III constatou que a empresa tem número de funcionários adequado ao trabalho executado e que todos os profissionais químicos exercem suas funções regularmente, atendendo aos critérios exigidos pelas normas do Sistema CFQ/CRQ.