CRQ-III fiscaliza piscinas públicas de uso coletivo no Rio de Janeiro

Com a chegada do verão e o aumento do uso das piscinas públicas, que costumam ficar lotadas nesta época do ano, cresce a necessidade do controle da qualidade da água para evitar a transmissão de doenças. Para prevenir esses riscos, o Conselho Regional de Química – Terceira Região (CRQ-III) começou, na primeira semana de dezembro, a operação que fiscaliza estes espaços públicos.

Durante as visitas, os fiscais do CRQ-III verificaram os processos químicos utilizados no tratamento da água e se o profissional responsável pela limpeza é devidamente qualificado. Vale destacar que para fazer o tratamento de uma piscina pública, via processo químico, é necessária a presença de um profissional da área, que obrigatoriamente necessita estar registrado no CRQ-III, habilitado para conduzir este procedimento. Se a piscina for tratada por uma empresa prestadora de serviço, esta deverá ter um Responsável Técnico, igualmente registrado no Conselho. A piscina também deve ser registrada no CRQ-III como departamento químico.

Até o momento 12 espaços foram vistoriados: sete Vilas Olímpicas, o Parque Radical de Deodoro, o Centro Esportivo Miécimo da Silva e três piscinões. As Vilas Olímpicas Clara Nunes, em Acari, e Mestre André, em Padre Miguel, não estão com as piscinas em uso e o piscinão de São Gonçalo está fechado e completamente abandonado. As Vilas que oferecem piscina para uso coletivo são Gamboa; Oscar Schmidt, em Santa Cruz, e Carlos Castilho, no Alemão. Em duas Vilas Olímpicas, na Vila Kennedy e na Maré, não foi permitida a entrada da fiscalização.

O piscinão de Ramos e o Parque Radical de Deodoro são geridos pela prefeitura, as Vilas Olímpicas vistoriadas, o piscinão de Deodoro e o Centro Esportivo Miécimo da Silva são geridos por Organizações Sociais e, como não possuem em seus quadros profissionais da Química, contrataram empresas prestadoras do serviço de limpeza e tratamento das piscinas. No entanto, as empresas contratadas também não têm um responsável técnico pelo serviço registrado no CRQ-III. Por este motivo, tanto as empresas quanto as Organizações Sociais foram orientadas a regularizarem a situação, sob pena de serem multadas.

O prazo para adequação de qualquer irregularidade é de 15 dias após o recebimento da intimação e as empresas que não cumprirem as notificações serão multadas. O Conselho Regional de Química – Terceira Região está à disposição para quaisquer dúvidas e esclarecimentos.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Química – Terceira Região, Rafael Almada, a medida, a princípio, é preventiva e visa fiscalizar os locais e ressaltar a responsabilidade principal do CRQ-III junto à sociedade e à comunidade.

“Uma água de piscina deve ter qualidade que impeça a transmissão de doenças por vírus e bactérias, como a conjuntivite e as micoses de pele. Entretanto, os produtos químicos utilizados no tratamento destes espaços devem ser aplicados de maneira correta, de forma a não comprometer a segurança dos banhistas com intoxicações.” declarou Almada.

Ele destaca ainda que somente um profissional da química pode garantir a segurança do tratamento e a consequente qualidade da água. Por sua vez, cabe ao CRQ-III garantir que químicos estejam presentes onde sua competência específica seja obrigatória, contribuindo para a saúde pública coletiva do Rio de Janeiro.

Tratamento adequado: Para o tratamento da água utiliza-se basicamente o produto químico hipoclorito de sódio, além de outros produtos químicos industrializados, comercializados como: limpa bordas, clarificante e algicida.

É importante ressaltar que a aplicação incorreta de produtos químicos em piscinas podem causar intoxicações químicas. As agudas acontecem por ingestão ou inalação dos produtos cáusticos e corrosivos utilizados no tratamento, como o cloro (hipoclorito de sódio) e a barrilha (carbonato de sódio). Já as crônicas, ocasionadas por estes mesmos produtos, provocam irritações oculares, do sistema respiratório ou da pele.

“A atividade do profissional da Química no âmbito das piscinas e parques aquáticos não se restringe às determinações físico-químicas e/ou microbiológicas. O Químico possui formação e atribuições conforme a natureza de seu currículo acadêmico, que o torna responsável não apenas pela manutenção da qualidade da água mas também pela higienização do entorno da piscina, instalações, incluindo a casa de máquinas, educação sanitária dos usuários e valorização dos exames médicos. A exigência de profissional capacitado e habilitado em piscinas, especialmente as de uso coletivo, é uma segurança para um lazer saudável.” – Delmo Santiago Vaitsman

“Com a chegada das altas temperaturas poderá haver a proliferação de microrganismos, sendo necessário um maior cuidado na dosagem de agentes desinfetantes. Não adianta realizar o tratamento da água de forma ineficaz e os devidos cuidados devem ser tomados, principalmente na aplicação de produtos químicos. Muitas vezes a busca por rapidez e aumento na eficiência do tratamento leva à adição de excesso de produtos químicos por responsáveis não capacitados. No caso do cloro, por exemplo, há riscos de grau médio a alto, como irritações oculares e da pele e até mesmo uma intoxicação pela ingestão ou inalação do produto químico.” – Renato Pereira Ribeiro

* Confira o Informativo do CRQ-III para saber mais sobre este e outros assuntos