Dia da Mulher – Professora Eliana Myra

A educação é fator fundamental na formação de uma sociedade mais consciente sobre as desigualdades de gênero e construir mudanças com inteligência e inovação passa também pela sala de aula. Para entender o cenário atual e traçar perspectivas sobre a participação da mulher na ciência, o Conselho Regional de Química – Terceira Região conversou com Eliana Myra, ex-presidente do CRQ-III e Pró-reitora de Ensino do Colégio Pedro II. Confira:

CRQ-III – “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação” foi o tema escolhido pela ONU para o Dia da Mulher 2019. Acredita que estamos construindo estas mudanças?

Eliana Myra – Em 1975 fiz uma especialização em Engenharia Nuclear, pretendendo seguir carreira neste ramo. Porém, apesar de bem colocada nas provas, o fato de ser mulher me trouxe obstáculos que, talvez por causa da pouca idade, julguei intransponíveis e mudei minha área de atuação dentro da própria Química. Minha turma da Faculdade tinha 27 homens e 3 mulheres. Mais tarde, já como professora, tive oportunidade de ver este quadro mudando, não só na Química, mas nas diversas áreas do conhecimento. A mulher está conseguindo seu espaço na sociedade, embora ainda tenhamos grandes distorções em relação a reconhecimentos e salários.

CRQ-III – A Química já teve grandes nomes femininos na história. Acredita que a ciência é um campo privilegiado para as mulheres?

E. M. – Todos os campos são privilegiados para as mulheres, se considerarmos que uma mulher pode e deve ocupar qualquer campo ou cargo que desejar, pois tem condições para isso.

CRQ-III – Você vê a tecnologia e a inovação como ferramentas de empoderamento das mulheres?

E. M. – Só é empoderamento porque, infelizmente, ainda se considera como um fato excepcional o fato de uma mulher destacar-se nestes ramos, esquecendo que segundo recentes estatísticas, atualmente, o número de mulheres na graduação e no mestrado é maior que o de homens. Sendo assim, não causa estranheza o destaque feminino.

CRQ-III – Como educadora, que caminho acredita ser o melhor para formar mulheres mais conscientes de sua representatividade?

E. M. – Todos os caminhos passam pela Educação, que nos leva a tomar consciência do nosso potencial, a garantia dos nossos direitos e o nosso papel na sociedade.

CRQ-III – Em sua opinião, o que cada um de nós pode fazer para que as mulheres sejam igualmente respeitadas e protegidas?

E. M. – Acho que demos um grande passo na criação de leis de proteção à mulher, representatividade nos partidos políticos (que nem sempre funcionam), mas temos que conscientizar as próprias mulheres do seu papel e da sua importância. Para isso, um dia só no ano não é o suficiente, ela tem que entender que é destaque o ano inteiro. Quanto aos homens é necessário que desde crianças entendam a mulher como sua companheira e parceira, com os mesmos direitos e deveres e, esses conceitos se aprendem em casa, normalmente com uma mulher a quem eles chamam de MÃE.

 

Eliana Myra de Moraes Soares é Bacharel e Licenciada em Química pela Faculdade de Humanidades Pedro II, com especialização em Supervisão Escolar pela UNIGRANRIO e Engenharia Nuclear pela UFRJ, tem Mestrado em Química Inorgânica pelo IQ/UFRJ. Foi professora na Faculdade de Humanidades Pedro II, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Souza Marques e Universidade Gama Filho, professora de Química concursada do Estado do Rio de Janeiro e do Colégio Pedro II. Foi Presidente eleita do CRQ-III por dois mandatos e atualmente é Pró-reitora de Ensino do Colégio Pedro II.