Gerente da Finep comenta sobre os novos projetos para o Setor Químico

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) receberá um recurso de US$ 1,5 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para financiar pesquisas até 2021. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, esta é a primeira vez que a Finep capta recursos no exterior. Do total, US$ 310 milhões serão executados neste ano.

Entre os projetos contemplados, o Plano de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química (PADIQ) movimentará as pesquisas no setor. Para entender essa iniciativa da Finep e as perspectivas para a indústria química, o Conselho Regional de Química – Terceira Região entrevistou o Sr. Rodrigo Secioso, Gerente da Finep para o Setor Químico.

 

Quais são as iniciativas da Finep para o Setor Químico?

Ao longo dos anos, a Finep tem apoiado sistematicamente as atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) das empresas mais inovadoras do setor químico com financiamentos reembolsáveis, disponíveis a qualquer tempo, por demanda espontânea das empresas e através de editais de fomento estruturado que congregam recursos reembolsáveis e não reembolsáveis. Por exemplo, tivemos, recentemente, editais vinculados ao programa Inova Empresa que contemplaram segmentos da indústria química, como o PAISS – Plano de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (destinou recursos para bioetanol 2G e produtos químicos a partir de biomassa da cana-de-açúcar); Inova Agro (apoiando o desenvolvimento de agroquímicos e seus princípios ativos); Inova Saúde (destinando recursos para Biofármacos, Farmoquímicos e Medicamentos); e, por último, o PADIQ – Plano de Apoio ao Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química. Dessa forma, a Finep busca contribuir para a elevação do investimento de P&D nas empresas brasileiras do setor químico e incentivar a realização de projetos de maior risco tecnológico.

 

Como o PADIQ atua no desenvolvimento do Setor da Indústria Química?

O PADIQ tem por objetivo o apoio a projetos que contemplem o desenvolvimento tecnológico e o investimento na fabricação de produtos químicos, induzindo a realização de parcerias complexas para suportar a execução de projetos de elevado risco tecnológico, com potencial de geração de externalidades positivas, tanto a nível social (geração de empregos, geração de renda em comunidades distantes dos grandes centros), quanto econômicas (adensamento de cadeias produtivas e redução de déficits comerciais), além de fortalecer as relações entre Institutos de Pesquisas e empresas brasileiras. Através do programa, a Finep poderá viabilizar o apoio com os melhores instrumentos de inovação disponíveis no país, em parceria com o BNDES. As prioridades são levantadas através de estudos e fóruns de discussão setorial e ratificadas junto às empresas, através de consulta pública. As palavras-chave são integração e otimização dos recursos.

Vale ressaltar que tivemos uma excepcional contribuição do INPI na seleção dos planos de negócios, focando o estado da técnica das tecnologias envolvidas, verificando aspectos de inovação e avaliando os riscos tecnológicos e o impacto potencial da introdução das tecnologias.

 

Qual é a avaliação dos resultados da iniciativa em 2016? Diante do cenário nacional, qual o percentual da participação do Rio de Janeiro?

O plano prevê o apoio da Finep e do BNDES a realização de investimentos nos setores elencados pelo edital até 2021, de forma que ainda é cedo para se falar em resultados. Contudo, já podemos perceber que a iniciativa mobilizou o setor químico em torno de uma proposta de desenvolvimento e inovação, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador. Foram selecionados projetos que permeiam a fronteira do conhecimento e tendências mundias, como rotas biotecnológicas para produtos químicos.

Se considerarmos apenas os planos de negócios selecionados, mobilizamos mais de 40 empresas e 25 ICTs, totalizando investimentos próximos a R$ 2,4 bilhões. Certamente é um desafio viabilizarmos todas essas propostas, mas acreditamos que ao final do 2021 teremos produtos de origem fóssil sendo substituídos por renováveis, produtos utilizando resíduos agrícolas e industriais como matéria-prima, substituição de produtos alergênicos e carcinogênicos, geração de empregos qualificados, integração de comunidades extrativas vegetais e difusão de conhecimento a nível nacional. Quanto ao Rio de Janeiro, os projetos que foram aprovados somam cerca de R$ 130 milhões, envolvendo empresas e ICT´s.

 

Quais são as projeções do projeto para 2017, em termos de investimento e aperfeiçoamento do programa?

Nesse momento, as propostas selecionadas estão em processo de avaliação jurídica e contratação. Estamos concentrando esforços para viabilizar esses investimentos e, ao mesmo tempo, estudando novas possibilidades de apoio seja via PADIQ ou através de outro programa. Importante frisar que mesmo com o primeiro edital do PADIQ em fase final, a Finep continua recebendo propostas para apoio com financiamentos reembolsáveis diretamente ou através de seus agentes do INOVACRED, de forma que tanto pequenas quanto grandes empresas podem continuar recebendo apoio da Finep.

 

Qual é a importância do empréstimo do BID para o crescimento das pesquisas no Brasil?

Por concepção, o apoio com recursos públicos subsidiados é uma alavanca para investimentos privados. Considerando que o cenário macroeconômico aponta para uma perspectiva mais positiva para o biênio 2017-2018, os recursos do BID agregam especial valor no momento que as finanças públicas estão tão pressionadas. Com esses recursos, a Finep poderá apoiar setores como Químico, Mineração e Transformação Mineral, Agroindústria e Alimentos, Biocombustíveis e Biorrefinarias, além de temas que atuam de forma mais transversal, como mudanças climáticas, cidades sustentáveis e indústria 4.0. Importante mencionar ainda que o PADIQ é uma das ações que se beneficiarão destes recursos, reconhecendo que o programa possui relevância inclusive no cenário mundial. Sem dúvidas, essa captação externa junto ao BID é histórica e a Finep terá cerca de 1,5 bilhão de dólares para aplicar em crédito nos próximos cinco anos.

 

Em cenários de crise, os investimentos em P,D&I costumam ser bastante prejudicados, devido ao risco inerente ao processo. Contudo, no momento atual é fundamental reduzirmos o pessimismo e entender que os retornos da inovação podem ser em prazos mais longos, mas são fundamentais para garantir o crescimento sustentável das empresas e os níveis de emprego e renda do país. A Finep é ator protagonista para esse atual momento e estamos preparados para responder a esses desafios.

 

* Confira o Informativo do CRQ-III para saber mais sobre este e outros assuntos