Química poderá contribuir para solucionar desafios globais

A população mundial deverá saltar do atual patamar de 7 para 9 bilhões de habitantes até 2050, tal aumento trará desafios globais, como o de possibilitar o acesso a alimentos de forma sustentável.

Esse será um dos temas debatidos no Congresso Mundial de Química, que acontecerá entre os dias 9 e 14 de julho de 2017, no World Trade Center, em São Paulo. Vale lembrar que o Brasil será o primeiro país da América do Sul a sediar o evento.

A maior parte das soluções para a superpopulação e outros problemas globais poderá vir da Química, avaliou Adriano Defini Andricopulo, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

“A Química, sem dúvida, deve dar a maior contribuição para solucionar os desafios globais no século 21”, estimou Adriano Andricopulo.

Esse desafio é agravado pelo fato de que hoje não se consegue alimentar nem os 7 bilhões de pessoas existentes no mundo. “Será preciso desenvolver novos produtos para proteger as culturas agrícolas contra pragas e doenças”, apontou.

Para criar princípios ativos para pesticidas e herbicidas voltados a controlar ervas daninhas, pragas e doenças fúngicas – já que com o passar do tempo os organismos podem desenvolver resistência a elas –, os químicos têm buscado cada vez mais inspiração em compostos naturais.

Outro elemento essencial para as plantas – que, em alguns anos, até 80% dele estarão disponíveis em formas que não podem ser absorvidas e usadas – é o fósforo. A fim de disponibilizá-lo para as plantas são usados comumente fertilizantes criados a partir de fosfato extraído de depósitos de rocha sedimentária e tratado quimicamente para aumentar sua concentração e torná-lo mais solúvel, de forma a facilitar sua absorção.

O problema, contudo, é que os depósitos de fosfato no mundo podem se esgotar nos próximos 50 a 100 anos. “A Química pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento de novas tecnologias para recuperar o fósforo a partir de resíduos para potencial reutilização”, concluiu.

 

* Confira o Informativo do CRQ-III para saber mais sobre este e outros assuntos