Setor industrial discute a precificação de carbono

Promovido pela Abiquim e a Carbon Pricing Leadership Coalition (CPLC) do Banco Mundial, o evento “Precificação de Carbono: Tendências e Iniciativas Regionais, Nacionais e Empresariais” aprofundou as discussões sobre essa nova tendência global e o cenário dos diferentes mecanismos implementados em diversos países e regiões.

Ao todo, mais de 40 iniciativas de precificação de carbono foram implementadas ou programadas para serem implementadas em diferentes países e regiões do mundo. Além disso, mais de 1.200 empresas já utilizam ou planejam utilizar precificação de carbono interna nos próximos dois anos, segundo o Banco Mundial. Em 2016, as iniciativas movimentaram aproximadamente US$ 50 bilhões.

Os diferentes setores industriais discutiram sobre como um mercado internacional de carbono, estabelecido nos termos do artigo 6º do Acordo de Paris, poderia viabilizar a redução dos custos para os países alcançarem seus objetivos de redução de emissões (Contribuição Nacionalmente Determinada – NDC), assumidos no Acordo de Paris, além de permitir uma maior ambição por medidas de redução das emissões de gases de efeito sem prejudicar a competitividade industrial.

A diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Abiquim e co-chair de Mobilizing Business Support da iniciativa global do Banco Mundial, Marina Mattar, abriu o evento ressaltando que, em um planeta com sete bilhões de pessoas e que chegará a nove bilhões ainda em 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é cada vez maior a necessidade e urgência de produtos mais eficientes e sustentáveis, que viabilizem cidades mais inteligentes e humanas. Nesse sentido, destacou que a realidade de uma economia de baixo carbono só é possível com a contribuição de soluções químicas, pois, por estar na base de praticamente todos os setores industriais, a química cria soluções que viabilizam o desenvolvimento de processos e produtos de baixo carbono para todos os setores.

“O setor químico pensa a longo prazo e por estar na base de diversos segmentos industriais cria soluções que permitem às demais indústrias desenvolverem produtos e processos mais sustentáveis”, comentou Marina Mattar.

A executiva da Abiquim lembrou que mesmo antes do termo sustentabilidade fazer parte do vocabulário cotidiano, a indústria química já implementava o Programa Atuação Responsável, desenvolvido para aumentar a saúde e segurança de seus colaboradores e dos moradores do entorno e diminuir o impacto da atividade industrial ao meio ambiente.

O country head para o Brasil do International Finance Corporation (IFC), do Grupo do Banco Mundial, Hector Gomez Ang, contou em sua apresentação que um dos objetivos do IFC é que 30% dos investimentos do banco sejam destinados a iniciativas para combater as mudanças climáticas. Índice está atualmente em 12%. “Precisamos repensar processos e abordagens para criar uma nova economia e a precificação de carbono ajudar neste objetivo”, afirmou. Segundo Ang, ações de precificação de carbono estão em processo de implementação em 12 países, incluindo 7 das maiores economias globais.

O coordenador de Mudanças Climáticas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcus Vinicius Cantarino, avaliou que existe uma complexidade na implementação de um mecanismo de precificação de carbono, que pode se tornar mais um tributo a ser pago pelos empresários. Marcos destacou que seria preciso que todas as empresas adotassem políticas de precificação de carbono para manter a competitividade. Também destacou que, caso o País adote um instrumento de precificação de carbono, será necessário que a legislação federal esteja alinhada com todas as legislações estaduais.

Para o diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem e vice-coordenador do Comitê para o Desenvolvimento Sustentável da Abiquim, Jorge Soto, uma empresa que quer se perpetuar no mercado deve incorporar mecanismos de precificação de carbono. Citando a Braskem, ele explicou que o tema das mudanças climáticas figura entre os mais importantes na empresa e, em 2015, foi implementado o sistema interno de precificação de carbono como parte da avaliação da implantação de projetos.

“Nossas plantas estarão operando por 40 anos é importante avaliar se elas terão custos futuros associados à precificação de carbono, dessa forma temos a oportunidade de oferecer produtos sem esse custo para os clientes”, explicou.

O CEO da Evonik, conselheiro da Abiquim e coordenador do Comitê para o Desenvolvimento Sustentável da entidade, Weber Porto, ressaltou: “A indústria química é transversal, que promove inovações e já iniciou pesquisas para transformar o CO2 em matéria-prima”. Em seguida, apresentou o posicionamento do setor químico brasileiro sobre a precificação de carbono. Porto destacou que, para a indústria química é importante reconhecer as ações e esforços históricos de redução das emissões, estruturar uma estratégia e um cronograma de implementação para que o setor empresarial possa adaptar-se a uma economia de baixo carbono, de modo gradual e interativo. Esse mercado precisa ser adequado à realidade da economia brasileira e, ao mesmo tempo, ser um instrumento eficiente e efetivo para o alcance das metas de mitigação de gases de efeito estufa e promoção do desenvolvimento. O documento ainda defende a necessidade de integrar a política brasileira as de outros países e regiões; incentivos e investimentos em produtos e processos de baixo carbono; harmonização entre as políticas climáticas e políticas energéticas brasileiras; e garantir um alto nível de governança por parte do governo.

O presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, encerrou o evento e afirmou que todos precisam se engajar nas metas da NDC. Figueiredo também destacou que, com exceção do governo americano, a grande maioria dos países está engajada na discussão sobre economia de baixo carbono e que, apesar da recente posição do governo dos EUA, as empresas americanas continuam bastante engajadas nos esforços para a redução das emissões.

“É necessário que o setor privado brasileiro se mobilize em torno do tema para debater o desenvolvimento sustentável no País”, concluiu Fernando Figueiredo.

Fonte: Revista Fator Brasil